Carnaval de ’07

Enquanto eu, solerte, rezava a Santa Inês que falhassem as orações em seu nome, aproveitava a vida. Saltei de um apeadeiro em Angra e entrei pela porta dos fundos, pasmo com a vista. Acoei.

Parecia uma farsa. Mas era carnaval. E eu ali, na conspícua betesga que esbordava Portogalo.

O sol dealbava os tijolos – das ruas, dos olhos de corindon; a casa, pária, estou certo, deu origem ao filho de Dédalo e fez os sonhos voarem. Uma nuvem de sarin – enfeitiçada, claro – entrava pelo postigo, exalando uma pânria surreal. Nem Tântalo tinha um palácio daqueles. Um racemo e, taí, só faltariam as bacantes para a ode a Baco.

E eu com minhas orações a Santa Inês. Ô, boa Santa Inês. Tampou os olhos na hora-certa. No em-ponto. E, se não me engano, ainda senti um aflar santo no que era o momento.

E nada sorvou o momento; nem o caseoso parlatório da ostentação, nem a vitória da Beija-Flor. Criaram-se novas vedas: de amor mútuo, de promessas de amizade. Era o ilapso. Divino. Mais-que-divino. Na festa da carne, a adoração à divindade humana. Saímos da ruela sem vista da pequenês ao belvedere espiritual. Kamadeva puro. Ascese bonita mesmo. Contrapontual.

As bases foram fortes, a quem duvida. Laterícias. E o que poderia tisnar descartamos.

Construímos um Estado laico de farras e amizade. Ê, carnaval!…

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Published in: on 6 de junho de 2010 at 15:23  Comments (10)