Da tetralogia ‘Mind, Body & Soul (Bones)’: IV – Intelecto

— Teatro do Absurdo: primeiro ato —


It started out with a kiss
How did it end up like this?
It was only a kiss

“É, tem bem verdade nessa música.”

“Ai, odeio quando você diz isso. Essas verdades aí. Que coisa idiota. Parece que a verdade é uma só, universal. Para com isso.”

“Ei, ow, foi só um comentário. Pronto. Não tá mais aqui quem falou.”

“Tá vendo? Você é um clichê ambulante. ‘Não tá mais aqui…’ Que ridícula. Aposto que vê todos os filmes da Nancy Meyers e os acha bonitos…”

“Eu não sei quem é a Nancy Meyers, intelectualoide de merda.”

“Eu sei. Por isso mesmo.”

“Aff. Eu já sei o que você quer. Você quer se irritar comigo. Porque nós nos amamos, mas você não pode ser meu, aí você quer uma desculpa. Você sabe que eu não vou te trocar por ele. Ele é meu namorado. Eu já te entendi.”

— Teatro do Absurdo: segundo ato —


Oh well I don’t mind, if you don’t mind
Cuz I don’t shine if you don’t shine

“Ah, muita verdade nessa aí.”

“Ué, você? Você?, caindo no clichê das verdades?”

“Tá, eu tava errado. Verdades existem, ponto.”

“O que houve, Senhor Otimista? Desistiu do niilismo?”

“É. A gente aprende.”

“Ah, vai. Não fica triste, não é o fim do mundo. Tenta manter o bom humor. Por mim.”

“Por você… Eu mudaria o mundo por você. Eu faria o inverso do que faço por você. Mas não me peça pra manter o humor. Não dessa vez.”

“Ei, tudo bem. Só quero que você saiba que não é o fim do mundo.”

“Não. Tsc.” (Mas preferia que fosse. Mas é quase como. Mas quem liga? Mas podia ser. Mas me dá uma chance! Mas e se eu implorasse? Mas e meu orgulho?)

— Teatro do Absurdo: último ato —


But my heart, it don’t beat
It don’t beat the way it used to
And my eyes they don’t see you no more
And my lips they don’t kiss
They don’t kiss the way they used to
And my eyes don’t recognize you no more

De resto, eu a deixei. Deixei mesmo. Ela me mandou uma mensagem dizendo que não parava de pensar em mim, que coisa, me pedia uma maneira de não fazer mais isso, mas eu também tava nessa, oras, e ela não quis saber, ela escolheu, então eu escolhi também, passei a não querer mais falar, disse que sabia a hora de sair de cena e saí dramaticamente porque queria deixar clara a minha dor que é boba e que nem chegou a existir num relacionamento que nunca foi real só na minha cabeça mente complicada e cheia de truques baratos de circo. Aí eu me apaixonei por outra mulher e tudo voltou a fazer sentido até a próxima despedida que se aproxima mas isso era meio coisa da minha cabeça, a mulher e a despedida que se aproxima. Aí eu desisti de amar mesmo.

Só me apaixonei pelas minhas ideias cada vez mais vazias e sem sentido. As ideias são o orgasmo da mente, não é? Virei onanista.

“Palhaço. Palhaço e niilista.”


So if the answer is no
Can I change your mind?

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Published in: on 6 de março de 2010 at 14:59  Comments (8)