Soneto a M***, para que compreenda a graça da vida e os desígnios misteriosos dos caminhos com que ela, torta, narra seus personagens


Havia Anne Marie, a louca francesa,
Mulher de desejos, vis fantasias,
Que escapava de sua incerta tristeza
Em vidas tortas de gentes vazias.


Piratas havia de tanta destreza
Que, certa feita, em águas bravias,
Antes que da morte fossem doces presas
Verteram silêncio: noites tardias.


Milhões de palhaços vestindo turquesa
Azuis como tais, assim, não havia.
Em circos, a vida: mendigo, princesa.


Por fim, destoante (vã alegria):
Na fé, nas mãos sós de quem despreza a reza,
Ainda há punho a sangrar poesia.

Anúncios
Published in: on 17 de junho de 2012 at 17:39  Comments (1)