Pop song


“Página vinte-nove,
poema seis.
Tal tal e tal.”


Lá vem a professora
e seu ridículo de amor.


No caderno,
litera-tura,
escrita na pedra:


‘Ainda que se somem às minhas
suas falhas malfadadas,
nunca
(e eu disse nunca,
de um nunca para-sempre,
que nenhuma
palavra
poesia
mentira
possa desfazer de sua absoluta condição de nunquidade)
direi que não fui feliz
por você.’


(Ainda que me reste a embriaguez
dos fracos
e uma música
ruim
que me faça
o desfeitio
de pensar o contrário.)


Desdito o poema.
sobra o vício do vento,
a lufada na cara
e o concerto de Brandeburgo.


(Que você me deixou por não gostar de Bach
e por pena
de não ter permitido no peito
nem um coração falso de lata
nem o conforto do cinismo.)

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Published in: on 26 de agosto de 2012 at 01:48  Deixe um comentário  

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