Da tetralogia ‘Mind, Body & Soul (Bones)’: II – Almas

“Esse é um preço muito caro a se pagar!”

Exclamou num tom acima do normal.

“No, sorry, you’re mistaken. And how ‘bout blue moons? Can you remember blue moons?”

Respondeu acima do tom.

“Nada disso pode me fazer mudar de idéia. Esqueça. Mesqueça.”

Descabido.

“Oh, I do remember blue moons.”

Emocionada.

“Até porque, sim, o que se leva disso tudo?”

Descrente.

“Love actually, baby.”

Desvirtuando.

“Te falei que já amei antes? Pff, cê nem liga. Não tá aí pra isso. Mas amei. Amei à vera. Amei de papel passado e grinalda. Aliança no dedo. Que, aliás, foi o que ficou. De tudo, perdi a cabeça, perdi os amigos, perdi minha eloquência e minha desfaçatez. Sobrou aliança.”

Enganado.

“Something borrow, something blue… Oh! if you could at least for a moment have a Coke with me, you’d stop worrying about marriage. Ok, try this song. It’ll cheer you up!”

Consternada.

No rádio, Aimee Mann toca Wise Up. É um presente dela para ele, incompreensível, irritante. Incomoda, claro. Ele se abate. Ela se deixa levar.

“Te falei do meu último sonho?”

Impondo-se.

“Have I told you my latest dream?”

Emplastando-se.

“Um terrível homem aparecia por trás de uma parede suja, gordurosa. Você estava comigo. Você era o monstro também. Eu vi num filme. A sério, não ria.”

Assustado.

“I was at the moon. That same freakin’ moon of those times. You were the moon. You were at the sun. I was the sun. We loved each other secretely, waiting in vain for the day we could find ourselves to come, e pra sempre.”

Assustada.

Não falaram mais. Ele entendeu meia palavra. Ela, nada. Desligaram o telefone. Estavam mesmo falando em línguas diferentes.

No rádio, Aimee Mann ainda tocava a mesma música, que repetia e repetia o mantra de ambos. Sabiam-se pra sempre assim.

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Published in: on 1 de dezembro de 2009 at 02:12  Comments (2)  

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2 ComentáriosDeixe um comentário

  1. damn, não achei uma musica boa para este, ou sequer as melhores palavras para descrever a sua impressão em mim.

  2. Meu amigo, ficou ótimo! Quero ver como termina essa espiral aí…
    Só um adendo, lembrei (ironicamente) de Alegria, Alegria (“eu bebo uma coca-cola, ela pensa em casamento”).
    Abraço!


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