Prelúdio

…e tem dias que toda música é inspiração, toda ela (de todas elas) traz lembranças – tristes bonitas, em geral, mas cê que sabe – (parece que o dia é umas daquelas manhãs de domingo com sol, mas que ainda faz frio e é lindo demais), e você tem vontade de escrever sobre todos os seus amores, porque lhe parecem todos muito importantes para serem descritos, experiências mesmo únicas, que todos devem conhecer para saber o que é amar (não leram Vinícius, ninguém mais lê), e o que você passou foi realmente isso, com todas elas, e você se vê excitado com a possibilidade de mostrar aos outros tudo o que foi – e foi muito, muito mesmo, em cada pouco que foi (“intenso”, você diz), enquanto as músicas o envolvem e trazem rostos diferentes, e você os vê todos ali, mas resolve então não falar nada, entra  na onda, e quando vê já passou o momento de escrever, e sofre porque queria muito, mas foi incapaz.

            Ou então (vá lá) escreve, mas o que vê depois que escreveu é que não é metade do que aconteceu. Mas fica a vontade de que tenha sido (“fica na intenção”, é o que diz), porque as palavras são sempre menores do que tudo o que deveria ter sido (escrito), seriam necessárias muito mais palavras para que tudo fosse do jeito que deveria ser (foi) – ou você é inábil ou não deu, foi mal, é tudo muito curto, o tempo, as palavras são curtas, paciência, menos o coração, esse que sente tudo ao mesmo tempo, entre fazer ou morrer as time goes by, canção maldita que não larga o peito.

            “The world will always welcome lovers…” (E você escreve mesmo assim. Em si, cabem lembranças…)

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Published in: on 4 de fevereiro de 2009 at 02:33  Comments (3)  

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3 ComentáriosDeixe um comentário

  1. Como eu prefiro português, MPB, ficaria com “amores serão sempre amáveis…”

  2. Isso me lembra Oscar Wilde, em Dorain Gray, quando diz que, o que faz um artista ser genial é saber transpor todo seu sentimento para sua obra, tornando-se, em vida, vazio e inexperiente. Sorte a sua que não consegue ser completo nesses textos, não? Serve de consolo, vai… haha.

    • Eu adoro Dorian Gray. Mas acho triste. O que deve fazer sentido em algum lugar.


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